sexta-feira, 24 de junho de 2011

Acerca da Liberdade Vigiada

     A discussão sobre os conceitos de liberdade e invasão de privacidade vem se tornando uma necessidade crescente. E tão importante quanto tal discussão é a consciência de até onde um desses conceitos pode ir sem interferir no outro.
    Liberdade só pode ser definida como tal enquanto não afeta negativamente o outro: você não é livre a ponto de poder sair agredindo seus semelhantes sem que isso lhe faça sofrer qualquer tipo de sanção. Imagina você se cada pessoa resolvesse fazer tudo que sentisse vontade sem refletir sobre os resultados de suas ações.
     Cada vez mais a tecnologia avança no desejo de monitorar a todos: temos hoje pequenos aparelhos capazes de emitir com precisão o ponto exato do planeta onde ele (ou seu portador) se encontra; câmeras de vídeo são incorporadas aos mais diversos dispositivos móveis; veículos automotivos já saem da fábrica com um GPS no painel; serviços utilizados na internet geram registros - que muitas vezes não possuem a segurança adequada em suas configurações de privacidade. Duvido muito que você ou algum conhecido já não tenha sido vítima de um vazamento de informação como imagem, vídeo ou até mesmo um histórico de conversa. Os danos causados variam de insignificantes a imensos e irreversíveis.

Privacidade não se consegue assim.

     O monitoramento é válido quando usado para os fins corretos, que seriam o suporte à Justiça e a proteção do bom cidadão. Mas, infelizmente, vemos falta de comprometimento, negligência e irresponsabilidade por parte daqueles que respondem por esse serviço. Muitas vezes feito sem transparência e desrespeitando qualquer código ético.
     Ainda que os sistemas de vigilância de todos os tipos se desenvolvam com o intuito de trazer mais segurança, eles devem ser usados com comedimento porque, por si só, tais sistemas são neutros. O que os torna vilões ou mocinhos é o objetivo para o qual são direcionados, e a responsabilidade daqueles que os administram.
Por @TarcisioAlves

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